Em 1799, com um golpe militar, Napoleão Bonaparte tomou o poder na França. Logo em seguida foi instituído o Consulado, e ele se tornou o primeiro cônsul. Em 1802, foi proclamado cônsul vitalício e, dois anos depois, imperador.
Nos quinze anos que permaneceu no poder, Napoleão construiu um dos maiores mitos da história. Admirador do general romano Júlio César, acalentava o desejo de transformar a França na maior potência mundial. E não mediu esforços para alcançar seu objetivo. Governando de forma ditatorial, arrastou grande parte da Europa à guerra. Em 1810, já controlava quase toda porção ocidental do continente, faltando apenas a Inglaterra.
Com suas conquistas, vários governos absolutistas foram extintos e os ideais da Revolução Francesa se disseminaram. No plano interno, Napoleão conseguiu estabelecer a estabilidade política e criou uma infra-estrutura capaz de impulsionar os negócios burgueses na França.
A próxima imagem representa a chegada de Napoleão Bonaparte e seu exército de 350 mil soldados às portas de Moscou em 1812, durante a invasão à Rússia. Napoleão esperava uma vitória rápida, mas os russos evitaram batalhas decisivas. Em vez disso, preferiram realizar ataques rápidos e adotar a tática de "terra arrasada", isto é, não deixar no caminho nada que pudesse ser útil aos invasores.
O Império
A paz firmada com a Inglaterra durou pouco. Em 1803, a Inglaterra aliou-se à Rússia e à Áustria para combater a França. Dois anos depois, Napoleão organizou uma grande expedição para invadir o território inglês, mas as forças navais foram derrotadas na batalha de Trafalgar. Em terra, porém, o exército francês venceu as forças russas e austríacas em Austerlitz (1806).
As guerras napoleônicas geraram numerosas mudanças no mapa da Europa, com o fim do Sacro Império Romano Germânico, que existia desde o século X. Em seu lugar, Napoleão instituiu a Confederação do Reno.
Em geral, nas regiões dominadas por Napoleão acabavam se formando governos fiéis ao imperador. Assim, sua área de influência se tornava cada vez maior.
A Inglaterra, por sua vez, continuava sendo o principal oponente da França. Com uma poderosa marinha e uma economia desenvolvida, resistia aos ataques de Napoleão. Tentando minar as forças do maior adversário, em 1806 Napoleão impôs o Bloqueio Continental, que decretava o fechamento dos portos europeus ao comércio inglês. Com essa medida, ele esperava abalar a economia da Inglaterra para derrotá-la militarmente. Como consequência, o mercado para a burguesia francesa seria ampliado.
Com o objetivo de fazer cumprir o bloqueio, Napoleão pôs em prática um apolítica de intervenções e anexações. Em 1807, ordenou a intervenção militar na península Ibérica, começando pela Espanha, em cujo torno colocou seu irmão José Bonaparte. Os espanhóis, porém, resistiram à imposição do novo rei e pegaram em armas contra os franceses. Apesar de toda a repressão empregada, as forças napoleônicas não conseguiram derrotar os espanhóis. No mesmo ano, Napoleão decidiu invadir Portugal, aliado da Inglaterra que havia se recusado a aceitar o bloqueio. O país foi ocupado sem dificuldades, mas a família real portuguesa fugiu para a América escoltada por navios ingleses.
Além das repercussões na Europa, a invasão napoleônica na península Ibérica teria importantes consequências na América colonial. A queda do rei espanhol teria sido o estopim das lutas que conduziram à independência das colônias da Espanha.
O declínio
Em 1810, apesar dos problemas na península Ibérica, os franceses eram senhores de boa parte da Europa ocidental. A partir dessa época, porém, uma sessão de obstáculos acabaria levando ao esgotamento do Império Napoleônico. Na própria França, o prestígio de Napoleão estava abalado em todas as camadas sociais em consequência do despotismo do regime e da continuidade das guerras. Não só as baixas eram grandes, mas também milhares de jovens tentavam escapar do serviço militar.
Quanto mais se intensificavam as manifestações de oposição, mais o governo recorria à censura aos jornais e aos livros e à repressão policial. Essas medidas aumentavam o descontentamento da maioria dos franceses.
No plano externo, a França não conseguia vencer a resistência dos ingleses, que frequentemente encabeçavam coligações formadas com outros países adversários - como a Áustria e a Prússia - para derrotar o imperador. O Bloqueio Continental era também cada vez mais desrespeitado. Prova disso é que, em 1810, o czar(imperador) russo rompeu o acordo com a França e promoveu uma reaproximação com a Inglaterra; em represália, Napoleão e suas tropas invadiram a Rússia em 1812.
Apesar de terem tomado Moscou, os franceses não conseguiram a vitória. Logo na chegada, depararam com a cidade deserta e em chamas, não conseguiram abrigo para descansar nem alimentos para repor as tropas e dos cavalos famintos. Também não encontraram os inimigos.
Nesse episódio, Napoleão foi pego de surpresa, pois o exército russo havia recorrido à hábil estratégia conhecida como terra arrasada - destruição intencional do local pouco antes da invasão para dificultar a obtenção de suprimentos e a retirada do contingente militar para impedir confrontos abertos com os invasores.
A manobra apresentou um desastre para o exército francês. Sem saída, as tropas napoleônicas deixaram a cidade sob rigoroso inverno e, desgastadas, quase foram aniquiladas pelos ataques realizados à retaguarda, pelo frio e pela fome.
A derrota fortaleceu a Inglaterra e seus aliados. Arruinado, Napoleão teve de renunciar, em 1814, ao trono francês e foi exilado na ilha de Elba. O vitoriosos ocuparam a França, restabeleceram a monarquia dos Bourbon e conduzira ao trono Luís XVIII, irmão do rei guilhotinado em 1793.
Ao mesmo tempo, os países vitoriosos decidiram se reunir e traçar os destinos da Europa, organizando-se no Congresso de Viena.
A Restauração
Com vimos, após a primeira derrota de Napoleão, as nações vencedoras e seus aliados se reuniram no Congresso de Viena, na Áustria, com o objetivo de decidir os destinos da Europa, refazer o mapa do continente e restabelecer os governos anteriores à Revolução. O congresso, porém, foi temporariamente suspenso durante os cem dias de governo de Napoleão.
Depois de retomados os encontros, a Rússia, a Áustria e a Prússia criaram a Santa Aliança, uma força militar formada pelos exércitos monárquicos para garantir a ordem no continente e também nas colônias européias. Na verdade, tratava-se de uma tentativa de voltar à situação anterior a 1789.
Apesar do cenário recomposto pelo Congresso de Viena ter recebido o nome de Restauração, já não era o mesmo dos tempos do Antigo Regime: os governantes, por exemplo, foram abrigados a adotar Constituições. De todo modo, a "nova ordem" ignorava os anseios propagados pelas revoluções burguesas e, justamente por essa razão, não conseguiria durar muito tempo.
Napoleão volta ao poder
O restabelecimento da monarquia do Bourbon na França foi seguido do retorno dos nobres que haviam fugido do país no início da Revolução. Ao voltar, os exilados tentaram recuperar os antigos direitos e reaver seus bens, o que gerou grande insatisfação popular.
Percebendo que o momento era propício para intervir mais uma vez no cenário político, Napoleão fugiu de Elba e, em março de 1815, retomou o poder. O novo governo durou apenas cem dias. Napoleão foi definitivamente vencido pelo general inglês Wellington na batalha de Waterloo, na Bélgica, em julho de 1815. Dessa vez, os ingleses o enviariam para um local mais distante: a ilha de Santa Helena, em pleno oceano Atlântico, onde morreu em maio de 1821.
As guerras travadas pela França contra as várias coalizões de outras potências européias entre 1792 e 1815 estavam interligadas, em termos tanto estratégicos quanto constitucionais, pelo programa político da Revolução Francesa. Seu objetivo era pôs fim às autocracias do Estado territorial (Áustria, Rússia, Prússia, por exemplo) e substituir tais regimes por governos instituídos em nome do povo, baseados na liberdade política e na igualdade jurídica da população.
Ora, se o povo era a fonte da legítima política, então cabia-lhe também a responsabilidade de defender seus próprios direitos e poderes de eventuais ataques. O direito de voto acarretou o dever do serviço militar. Exércitos recrutados tomaram o lugar das pequenas forças profissionais do Estado territorial.
Embora a França acabasse sendo derrotada, o resultado constitucional das guerras travadas entre 1792 e 1815 não foi a restauração dos antigos regimes dos Estados territoriais. As inovações francesas logo foram reproduzidas de maneira meticulosa e implementadas com grande vigor na Prússia.
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